Quando a saudade chega, não tem balinha vermelha, balões coloridos ou cheiro de nuvem que a faça ir embora. Quando a saudade chega e adentra sem pedir licença, o coração encolhe, o peito murcha, o olho inunda e a face chora. Quando a saudade chega, adentra sem pedir licença e invade a nossa casa, a nossa vida, a nossa alma, o nosso hoje, o nosso tudo e o nosso sempre, o som vira silêncio, a brisa sopra vento, a chuva se faz tempestade e o compasso perde o tempo.
e ele, serelepe que só, todo dia aparecia lá fora.
ela só saía em dias de chuva.
já ele, adorava quando fazia sol.
num certo dia cinzento, enquanto ela brincava no escorregador,
ele esperava pacientemente um buraquinho se abrir no céu
e o sol aparecer.
e foi assim que aconteceu.
as nuvens se despediram, o céu alaranjou
e tudo ficou mais bonito.
então ela viu que era hora de ir embora.
mas não conseguiu se esconder a tempo - ou não quis:
'não conta pra ninguém, mas eu sempre tive vontade de ver o sol'
e ficou lá, olhando de canto de olho, assim como se a vergonha a impedisse de dizer...
- ei!
- oi... - respondeu envergonhada
- nunca te vi por aqui.
- pois eu já... moro alí em cima, sempre te vejo brincar nos dias de sol.
- esse negócio de brincar sozinho nem sempre é bom. (pausa) você nunca sai?
- saio sim. mas só quando chove...
- pois não devia. quando o sol vem, esquenta lá fora e aqui dentro também.
- me mostra?
e a conversa durou mais algumas tardes ensolaradas.
decidiram se encontrar sempre.
ela não mais aparecia somente em dias de chuva,
ele lhe ensinara a brincar com o sol.
e foi aí que descobri
que chorar de alegria é bem mais gostoso.
quando peguei a lágrima saindo para brincar,
de mão dadas com o sorriso...
Escrito por Meu outro eu ?s 15h55
[ ]
- Amanhã faço dez anos. Vou aproveitar bem este meu último dia de nove anos. Pausa, tristeza. - Mamãe, minha alma não tem dez anos. - Quanto tem? - Acho que só uns oito. - Não faz mal, é assim mesmo. - Mas eu acho que se deviam contar os anos pela alma. A gente dizia: aquele cara morreu com 20 anos de alma. E o cara tinha morrido mas era com 70 anos de corpo. Mais tarde começou a cantar, interrompeu-se e disse: - Estou cantando em minha homenagem. Mas, mamãe, eu não aproveitei bem os meus dez anos de vida. - Aproveitou muito bem. - Não, não quero dizer aproveitar fazendo coisas, fazendo isso e fazendo aquilo. Quero dizer que não fui contente o suficiente. O que é? Você ficou triste? - Não. Vem cá para eu te beijar. - Viu? Eu não disse que você ficou triste?! Viu quantas vezes me beijou?! Quando uma pessoa beija tanto outra é porque está triste.
(Clarice Lispector)
Escrito por Meu outro eu ?s 13h37
[ ]
um...
dois...
três...
já.
danado esse sol.
quando se esconde, é pra valer.
mal sabe ele que enquanto ele não está,
é quando a lua sai para brincar
Escrito por Meu outro eu ?s 15h37
[ ]
* puf *
Escrito por Meu outro eu ?s 09h35
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brincando de ser gente grande
já passei tempos me perguntando como vivi sete anos sem ela.
já me perguntei também como aguentei outros dezessete com.
já fui grande, quase gigante. enquanto ela pequenina, miúda.
agora não é mais assim.
agora quem aprende sou eu. e quem cuida é ela.
e eu acho que vai ser assim... por um bom tempo.
de tempos em tempos os papéis se invertem.
quero brincar de ensinar também!
e agora é minha vez! não estou mais de "altos", já engoli o cadeado e folhinha de abacate, ninguém me recombate!
pique um dois três Perua!
Escrito por Meu outro eu ?s 16h35
[ ]
da arte de fingir
às vezes finjo não saber, evitando perguntas.
de vez em quando finjo ser, atraindo desculpas.
já fingi escrever, pra chegar mais perto
e já fingi mentiras, procurando o que é certo.
mas sou craque mesmo em fingir que não finjo. passo desapercebida. mudo o tom, desvio o olhar.
e esse meu sorriso, quando estás do meu lado, se fosse de verdade, não seria desse tamanho.
ah não!
se fosse de verdade, ele seria desse grande assim, ó...
Escrito por Meu outro eu ?s 12h01
[ ]
falando grego...
dez reais para quem entender essa frase:
"chocolate do meu time pra cima do coringão, metade do segundo tem 3 x 0 são paulo, e a torcida ja gritando ole e os corintianos batendo"
aparentemente eu sou a única pessoa que não entende lhufas...
Escrito por Meu outro eu ?s 18h20
[ ]
"Tem mais samba no encontro que na espera Tem mais samba a maldade que a ferida Tem mais samba no porto que na vela Tem mais samba o perdão que a despedida Tem mais samba nas mãos do que nos olhos Tem mais samba no chão do que na lua Tem mais samba no homem que trabalha Tem mais samba no som que vem da rua Tem mais samba no peito de quem chora Tem mais samba no pranto de quem vê Que o bom samba não tem lugar nem hora O coração de fora Samba sem querer
Vem que passa Teu sofrer Se todo mundo sambasse Seria tão fácil viver"
(por... ah, preciso dizer?)
Escrito por Meu outro eu ?s 15h22
[ ]
e foi ali que, enquanto sorria na chuva, escutando Chico bem baixinho, arrancando páginas, amassando rascunhos, jogando fora dores e mágoas e quases e nadas, meu outro eu sussurrou no meu ouvido:
quando eu crescer, quero ser poeta.
Escrito por Meu outro eu ?s 15h16
[ ]
...das brincadeiras que a vida faz...
certo dia um samba me levou lá pra cima, bem no alto. e me deu o vento e batucadas e violadas e o nascer do sol - que lá de cima, não é qualquer um. esse mesmo vento me trouxe uma clave e um par de olhos verdes. e trouxe de volta a música, que há tempos se escondia de mim - ou eu dela, não tenho certeza.
o sol do nascer se pôs e foi aí que o verde alaranjou. então a música se fez certeza e hoje em dia não se esconde mais. foi quando me contaram que a clave enviolou e agora (en)canta pequenininha lá de cima. e o vento... bom, o vento virou samba. e andam dizendo que, de quando em vez, ele batuca por aí.
Escrito por Meu outro eu ?s 21h16
[ ]
...do dia em que a saudade me pegou de jeito...
"Quando você veio ao mundo, sorriu ao mundo, se apresentou ao mundo eu tinha onze anos, 37 sonhos, 42 bolinhas de gude e um álbum incompleto de figurinhas dos craques do campeonato brasileiro. Quando você desceu ao mundo, caiu no mundo, floresceu o mundo, eu pensava em ser jogador de futebol, cantor de rock, cientista maluco, pessoa feliz ou andarilho, não sei bem em que ordem nem o que eu queria ser primeiro. Quando você chorou para o mundo eu não sabia cantar, nem sabia dançar, nem sabia que um dia ia ter vontade de cantar dançando cada vez que olhasse seus olhos e sentisse seu cheiro e tocasse sua pele. Quando você chegou e enfeitou o mundo, perfumou o mundo, mudou o mundo, eu não pensava em flores nem enxergava direito as cores, nem esperava amores nem muito menos sentir dores, porque dor eu só aprendi a sentir no dia que você, um bom tempo depois que chegou ao mundo e haja tempo nisso que quase não se acabava!, se chegou a mim, e me fez perceber que dor é aquela sensação desagradável ou penosa causada por um estado anômalo do organismo ou parte dele, especialmente quando você me dá tchau, até logo, byebye, e piorada quando isso tudo não vem acompanhado de um beijo e um volto logo. Quando você piscou pro mundo ninguém me disse, ninguém anunciou, não deu na tv nem no jornal nem no rádio e eu não vou mentir e dizer que eu soube assim mesmo, porque essas coisas a gente não sabe de outro jeito que não seja depois de muito sofrimento e de desacreditar que um dia vai acontecer. Mas, no fim de tudo, isso nada importa, a não ser que você veio e sorriu e se apresentou e desceu e caiu e floresceu e chorou e enfeitou e perfumou e mudou e piscou pro mundo e pra mim, e dentro de mim alguma coisa fez ploc e outra fez clic e outra fez um barulho infernal e explodiu, e eu senti na boca um gosto de framboesa e nos pés um gosto de nuvem de chuva e no peito um gosto de o-que-é-isso-meu-deus-do-céu-minha-nossa-senhora-do-perpétuo-socorro-ave-maria-cheia-de-graça-valha-me-deus-todo-poderoso-acuda-jesus-nosso-senhor. Pois, agora, vê se cuida de mim do meu sorriso do meu olhar do meu peito do meu sonho do meu mundo do meu dia dos meus/nossos filhos do meu pé-de-atleta de meu tudo de meu sempre. Porque, quando você apareceu, assim, do nada, depois de ter surgido de dentro de um planeta chamado ¿longe¿, se ferrou, madame, porque ganhou um eu inteirinho pra você, embalado pra presente e sem direito a troca nem devolução nem reclamação porque o guichê já está fechado, o dia já foi ontem e a noite promete uma nova revelação dos cientistas loucos da Colômbia em relação à gripe que nos assola."
(a. gonçalves - 'de quando o amor me entortou')
Escrito por Meu outro eu ?s 14h47
[ ]
...o quanto é preciso para você flutuar?
...
quando você come todas as balinhas vermelhas do pacote de balinhas coloridas - todo mundo sabe que as balinhas vermelhas são sempre as melhores - e acha que acabou, que agora só sobraram verdes, roxas e amarelas, e você tira todas, virando tudo na mão, lambuzando a palma já úmida de nervosismo - porque você comeu a última balinha vermelha sem saber que era a última - e quando você vê, lá dentro do pacotinho, e percebe que depois de todo o roxo, verde e amarelo, ainda tem uma balinha vermelha, a última, só pra você
"I search your profile for translation/I study the conversation like a map"
Não.
Não quero a presença. Gosto da distância. Gosto deste quase nada, que é um quase tudo. Gosto da falta. Gosto da ausência. Gosto da... Ah... Gosto do que tem gosto de... Não. Não tem gosto de nada. Nem cheiro tem. Tem é muita falta de ar. Isso sim. Tem é bastante vazio. Tanto vazio que parece não acabar nunca. Que de tanto nada que tem dentro, parece prestes a explodir.
"Cause I know there's strength in the differences between us/And I know there is comfort where we overlap"
Sim.
Às vezes quero a presença. Às vezes não suporto a distância. Às vezes gosto de viver contos.
Às vezes gosto do tudo sem quase.
"Come here stand in front of the light/Stand still so I can see your sillouette/I hope you have got all night"
E sabe de uma coisa?
De quando em vez tiro os óculos.
Tentando me lembrar do que não via.
"Cause I'm not done looking/I'm not done looking yet"
Escrito por Meu outro eu ?s 02h07
[ ]
...sobre o que vem depois...
"Não quero ter a terrível limitação de quem vive do que é possível fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada."
C.L.
Escrito por Meu outro eu ?s 20h13
[ ]
...da série: perguntas que não precisam de respostas...
Porque alguns segundos duram muito mais que outros?
Escrito por Meu outro eu ?s 23h56
[ ]
...sobre o infinito...
Hoje passei pela chuva. Ou ela passou por mim - não tenho certeza. Já tinha visto, de longe, que estava chegando. E enquanto eu cruzava uma ponte, no caminho de volta para casa, ela passou por mim.
Mas ai de quem falar que estamos com alguns quilinhos a mais!
Escrito por Meu outro eu ?s 21h45
[ ]
...em fevereiro...
rio sorrindo,
rio cantando,
rio brilhando,
rio chorando,
rio encantando,
rio descobrindo,
rio sambando,
rio chovendo,
mas sempre
rio...
Escrito por Meu outro eu ?s 03h31
[ ]
Das coisas que me agradam...
Gosto da ausência de silêncio durante as pausas. Gosto quando descubro que vejo melhor mesmo não enxergando direito. Gosto dessa coisa que de vez em quando passa por aqui, e que parece suspiro com gosto de saudade, mas ainda não tem nome, e por isso faz parte do dicionário das palavras que não precisam existir, porque ela, essa coisa, simplesmente é. Gosto do que faz do pequeno, encantador, e então o pequeno não é mais pequeno, mas imensamente encantador. Gosto mais ainda daquele suspiro. É. Esse mesmo. O primeiro. Quando, mesmo se não estivesse chovendo lá fora, chovia aqui dentro. Gosto de saber que nunca vou me cansar de descobrir coisas novas. Gosto do longe que é perto que é longe que é perto. Gosto do que é angustiantemente confortável e confortavelmente angustiante...
Gosto disso...
Escrito por Meu outro eu ?s 18h34
[ ]
...relembrando...
quase fui
quase encontrei
quase senti
quase me encantei
quase abracei
quase beijei
quase me apaixonei
quase senti saudades
quase sofri
quase chorei
quase vivi...
quase desejei que tivesse sido somente um 'quase'...
Escrito por Meu outro eu ?s 23h34
[ ]
Domingo tem jeito de preguiça e acorda suspirando 'só mais cinco minutinhos'. Domingo, de quando em vez, fica embaçado de maresia, mas toma banho de mangueira e não precisa se secar. Domingo tem gosto de carambola, cheiro de coisa verde, cor de frutas vermelhas e voz de vitrola (às vezes - mas só as vezes - a vitrola se transforma em piano e reverbera pouco mais de oitenta anos). Domingo ouve passarim, se veste de bailarina e brinca de circo. Domingo joga frescobol com bola amarela num fundo laranja. Domingo ama Nina que ama Billie que ama Louis que ama Etta que ama Pat que ama Chico que por sua vez ama Clarice que ama Tom que ama Luiza que ama todo mundo. E quando domingo não tem cor, nem forma e nem peso, se chama 'ventinho'...
a noite sussurrando nunca mais deixar de presenciar
seus olhos gritando nunca mais deixar de sorrir
os meus suspirando nunca mais deixar de cantar
Escrito por Meu outro eu ?s 01h41
[ ]
vinte e três
Comecei sabendo pouco. Falei com nove meses. 'Papai, mamãe, vem ver a Luiza andando!' - tinha pouco mais de um ano quando anunciei. Paranaguá, Morretes, búfalos, sarampo, sarna, síndrome da boca-mão-pé, quebrei a perna, reaprendi a andar. E aprendi a aprender. Desde então é o que mais me fascina. Do interior ao Rio, do Sapinho Sapeca ao Teresiano, aprendi a ler, desenhar e jogar purrinha. Daí veio uma irmã, linda, que me ensina a aprender e aprende a me ensinar. Pratiquei volei, basquete, surfe, ginástica olímpica, frescobol, biathlon, triathlon, tive problemas no joelho, coluna e alguns dedos quebrados. Um dia me ensinaram a ouvir, a gostar e me ensinei a tocar. Então aprendi a me apaixonar. Me vi completa do outro lado do mundo e deixei partes de mim por lá. Aprendi a gostar demais de mudanças. E me fixo constantemente em minha instabilidade. Tentei muitas vezes, me apeguei outras várias e desisti ainda mais. Carreguei alguns pesos mas me fiz leve. E vieram novas descobertas. Suspiros, vergonhas, timidez, frio na barriga, tempo, pôr-do-sol, livros, fotos, fatos, chuvas, vontades, sensação pós-dormência, segundos, saudades... Gosto do todo e me encontro na ausência.
Escrito por Meu outro eu ?s 15h13
[ ]
'hoje eu quero apenas...
...uma pausa de mil compassos'
Escrito por Meu outro eu ?s 19h50
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'pois é...
e fica o dito e redito por não dito...'
Escrito por Meu outro eu ?s 12h44
[ ]
Beatriz...
'Olha Será que ela é moça Será que ela é triste Será que é o contrário Será que é pintura O rosto da atriz
Se ela mora no sétimo céu Se ela acredita que é outro país E se ela só decora o seu papel E se eu pudesse entrar na sua vida
Olha Será que ela é louça Será que é de éter Será que é loucura Será que é cenário A casa da atriz Se ela mora num arranha-céu E se as paredes são feitas de giz E se ela chora num quarto de hotel E se eu pudesse entrar na sua vida
Sim, me leva pra sempre, Beatriz Me ensina a não andar com os pés no chão Para sempre é sempre por um triz Aí, diz quantos desastres tem na minha mão Diz se é perigoso a gente ser feliz
Olha Será que é uma estrela Será que é mentira Será que é comédia Será que é divina A vida da atriz Se ela um dia despencar do céu E se os pagantes exigirem bis E se o arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida...'
(da série sinestesia)
Escrito por Meu outro eu ?s 15h52
[ ]
Retalhos...
Reveillon chegando e alguns preparativos precisam ser feitos. Não costumo acreditar em superstições, pular ondinhas, me entupir de uvas, mas às vezes é bom depositar alguma credibilidade em certas coisas... Ano passado decidi então dar uma chance a esse lance do significado da cor das roupas e passei a virada de vermelho, na tentativa de dar um empurrãozinho aos meus relacionamentos. E deu no que deu, né? Trezentas e sessenta e cinco novas paixões, somadas a umas 13 antigas que voltaram à tona e aproximadamente 527 caquinhos de mim espalhados por aí...
Alguém pode me dizer qual cor supostamente representa 'paciência'?
Porque vai dar uma baita trabalheira remendar todos esses pedaços...
Escrito por Meu outro eu ?s 22h37
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Devaneios...
Outro dia estava conversando com uma amiga - conversando, não, 'brincando', como ela própria disse - e para matar o tempo, ela veio com a idéia de um 'bate-bola' à la Marília Gabriela. Pergunta pra lá, pergunta pra cá, um cheiro, um momento, uma conquista, um sentimento... 'Um veneno para acabar com a monotonia de uma relação'. Sem hesitar, respondi simples e direta: nunca tive uma relação monótona. Ponto.
Não, não sou uma aventureira, nunca pratiquei sado-masoquismo, dança de salão, terapia de casal e muito menos frequentei aulas de sexo tântrico. O lance é que me encanto facilmente pelas pequenas coisas. Durante um relacionamento, me apaixono inúmeras vezes ao dia. Por coisas bobas mesmo. Me apaixono pela maneira de pronunciar certas palavras, pelo jeito de arrumar o cabelo, coçar os olhos, vestir uma meia. Qualquer gesto novo é uma descoberta, uma revelação. É a prova de que ainda tenho muito o que conhecer, desvendar, decifrar.
'Mas a paixão um dia acaba'. Claro que não. A paixão não acaba, muito pelo contrário. Surgem outras paixões. Sejam essas por outras pessoas, outro emprego, outro lugar ou por si mesmo. Se as coisas não estão mais como antes, provavelmente é porque você se apaixonou por outra coisa, descobriu um lado seu que não conhecia, encontrou o momento perfeito para uma viagem, descobriu um súbito interesse por cinema francês ou decidiu que sua vida agora gira em torno da economia do Afeganistão. Vai entender. Simplesmente apareceu outra coisa que te prendeu a atenção. O que acontece é que as novas descobertas estão agora em segundo plano. A busca pelo novo não é mais uma prioridade. É aí que a coisa começa a desgastar.
E se a tal monotonia é uma desculpa para descobrir novos atraentes, que venha o tédio, a rotina e a mesmice! Pois não há nada melhor do que se apaixonar a cada instante.
'Vem, meu menino vadio Vem, sem mentir pra você Vem, mas vem sem fantasia Que da noite pro dia Você não vai crescer Vem, por favor não evites Meu amor, meus convites Minha dor, meus apelos Vou te envolver nos cabelos Vem perder-te em meus braços Pelo amor de Deus Vem que eu te quero fraco Vem que eu te quero tolo Vem que eu te quero todo meu
Ah, eu quero te dizer Que o instante de te ver Custou tanto penar Não vou me arrepender Só vim te convencer Que eu vim pra não morrer De tanto te esperar Eu quero te contar Das chuvas que apanhei Das noites que varei No escuro a te buscar Eu quero te mostrar As marcas que ganhei Nas lutas contra o rei Nas discussões com Deus E agora que cheguei Eu quero a recompensa Eu quero a prenda imensa Dos carinhos teus'
(da série sinestesia)
Escrito por Meu outro eu ?s 13h49
[ ]
Trilha sonora da primavera fora de época...
Leve adj. 1. De pouco peso, pouca densidade 2. Tênue, delicado.
A leveza tem voz. Que voz! E responde pelo sutil nome de Madeleine Peyroux. Exatamente, Madeleine, como os levíssimos bolinhos franceses. Aqueles em forma de pequenas conchas e com um sabor quase cítrico e certamente inconfundível. (Vale a dica: o bolinho pode ser facilmente encontrado em qualquer supermercado Zona Sul, com uma variedade de sabores. São vendidos em uns potinhos de plástico com a marca Guimas. Não têm a mesma delicadeza dos originais franceses, mas são uma delícia!)
Voltando à voz da leveza. A dica veio de uma amiga, dizendo que tinha lido 'en passant' sobre a cantora no Segundo Caderno, e quando soube que no momento eu ouvia músicas francesas, me enviou, por msn mesmo, uma música maravilhosa, 'J'ai Deux Amours'. Foi amor à primeira 'ouvida'. Uma mistura na medida exata do timbre de Billie Holiday, o blues de Bessie Smith, viagens de trem pelo interior da França em dias ensolarados e uma pitada de friozinho na barriga durante um novo começo. Não acredita? Então procure ouvir. A Rádio Uol disponibilizou seu segundo álbum, chamado 'Careless Love'.
Quanto à dona da voz: pouco mais de trinta anos de idade, um talento nato e... Bom, vou deixar o resto por conta de vocês...
Eu - Aquele lugar onde se sente 'frio na barriga'...
Escrito por Meu outro eu ?s 14h23
[ ]
Se fosse...
Ela - Um sentimento.
Eu - Saudade.
Ela - Caraca, você tem muito cara de saudade.
Eu - Rs...
Ela - Se eu tivesse que definir saudade, diria que é a cor dos seus olhos...
Escrito por Meu outro eu ?s 14h16
[ ]
Então me diz... Uma fraqueza.
Só uma? Não posso dizer só uma. Porque senão as outras vão ficar com ciúmes. Daí o ciúme - indeciso que só ele - não vai conseguir escolher a quem se entregar. Então ele fica inseguro, confuso, morrendo de vergonha e com a auto-estima lá embaixo quando percebe que ele é muito pequeno, tão pequeno, pequenino mesmo, do tamanho de um botão, que acaba não sendo ciúme suficiente pra todo mundo. E quem consegue fazê-lo entender que se fizer uma coisa por vez acaba conseguindo? Você? Duvido. Pode tentar! Tenta mesmo, e tenta rápido porque ele é super ansioso. Mas vê se faz direitinho, com ilustrações, música e muita sonoplastia, porque, além de ansioso, é distraído e perde a concentração assim, ó! Ah! E toma cuidado, porque tem uma tal dona saudade, cheia de manias, que está louca atrás dele. Essa também é outra. Nunca vi! Parece que ingere um quilo de fermento por dia. Ela cresce, cresce, cresce, cresce e só decide murchar quando leva umas alfinetadas malcriadas da impulsividade. Mas apesar de parecer um caos, tudo isso é super simples, e altamente contornável. Basta um pouquinho de atenção que fica tudo certo. Aliás, um pouquinho não. Bastante. Porque me disseram, e agora não sei exatamente quem foi que disse, que a carência tem passado muito por aqui...
Escrito por Meu outro eu ?s 03h57
[ ]
...e esse vento?
E me assustei quando olhei para dentro. Eram restos de saudade largados pelo chão, alguns cacos de 'eu te amo', um copo de lágrimas e um bilhete na porta do armário:
"Não se preocupa, não, amor. É que perdi meu pedaço de felicidade e não consegui encontrar."
Tsc. Tsc. Tolinha.
Mal sabe ela que a felicidade que tanto procura está bem aqui. Guardada juntinho da minha.
Escrito por Meu outro eu ?s 23h31
[ ]
Classificados II
VENDO uma urucubaca fortíssima. Nova porém bastante usada. Acompanha um punho fissurado, um HD desconfigurado e um carro arrombado recém chegado da rua. Aceito proposta de troca por dias ensolarados ou ofertas de emprego. Promoção: o primeiro a ligar ainda leva, inteiramente grátis, uma mega insegurança e uma mini auto-estima. Tratar com a proprietária (agora sem olhos).
Escrito por Meu outro eu ?s 11h39
[ ]
Classificados I
VENDO um par de olhos azuis. Cor original de
fábrica. Documentação ok. Pouco rodado. Acompanha um belíssimo par de óculos
DKNY de grau (-4,00), armação preta. Leve defeito na válvula de escape
causando eventuais vazamentos. Aceito negociações. Motivo: falta de verba para
pagar o conserto do meu computador, que custou os olhos da cara. Tratar com a
proprietária.
(Da série: 'Roubando não, pegando a idéia emprestada sem pedir...')
Escrito por Meu outro eu ?s 10h57
[ ]
FECHADO PARA BALANÇO!
Por motivos de força maior, não estou conseguindo abrir o Corel, Photoshop e Dreamweaver. E me recuso a ficar com esse layout padrão do Uol Blog. Então, até conseguir instalar corretamente os programas, vou deixar o blogue parado. Ok ok... Eu sei... Já fazia tempo que não atualizava, mas, agora tenho uma explicação.
( ) Peço desculpas pela péssima ilustração, mas como só posso utilizar o Paint Brush, isso é o máximo que consigo fazer.
Escrito por Meu outro eu ?s 10h49
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...diferenças à parte...
Quem disse que Jeri é tão diferente assim?
Tem Linha Amarela...
...Piscinão de Ramos...
...Casino...
...Blockbuster...
...Festivais de música...
...Reunião do Conselho...
...e até carona no lotação...
E a vida fica cada vez mais difícil... Ai ai...
Chego dia 26... Já deixo marcado um Baixo Gávea... Às dez da noite...
Beijos para todos!
Escrito por Meu outro eu ?s 11h58
[ ]
Este aí da esquerda é o co-autor dessa figurinha aí, da direita (Eu).
Não foi planejado, mas definitivamente muito bem executado.
22 anos de trabalho árduo, acompanhando a obra, ajustando detalhes, modelando à sua maneira.
Agora estou assim. E sou assim por causa dele. O arquiteto da minha vida.
Devo muito a ele, embora não fale abertamente sobre isso.
Superei chuvas, ventanias, terremotos e tormentos - alguns (poucos) causados por seus próprios deslizes, mas quem não falha uma vez ou outra?
Mas a certeza que vale é que me fez passar por tudo sabendo em quem confiar, sabendo que no fim, tudo já estava ali, arquitetado, pensado e repensado.
Hoje - ou melhor, ontem - foi seu dia.
Não estava perto para curtir o momento, mas lembrei muito. De tudo. Das manhãs na praia, das musicas de domingo, das brigas - que muitas vezes não admito - sem motivo algum. Dos inumeros chopes, das noites culturais, das tardes no trabalho.
Chefe, amigo, parceiro, aliado e muitas vezes rival. Mas sempre meu pai. Pessoa maravilhosa, com um coração que não cabe em lugar algum.
É ele que me faz ver coisas boas em mim, me faz perceber do que sou capaz, os sonhos que posso realizar.
Sei que não costumo verbalizar, mas te amo muito, e sei que sabe disso.